A CONFUSÃO RELIGIOSA NA IDADE MÉDIA TARDIA

A confusão religiosa na Idade Média Tardia

 

Este estudo traz alguns fatos históricos do fim da Idade Média, por isso chamada de Idade Média Tardia. De modo mais geral, designa-se essa parte da história dos anos 1300 a 1500. De modo mais específico, alguns historiadores afirmam que a Idade Média termina em 1453, quando os turcos otomanos tomaram a cidade de Constantinopla. Mas essa discussão não é tão importante para o foco do nosso estudo. Isso é apenas para estarmos situados cronologicamente.

Para entender o que aconteceu no final da Idade Média, é importante recapitular alguns acontecimentos anteriores. A Igreja ia crescendo, e, por isso, foi necessário que houvessem mais pregadores em comunidades maiores. Alguns desses pregadores tiveram mais prestígio e foram chamados de bispos. Eram principalmente os bispos de Roma, Jerusalém, Alexandria, Antioquia e Constantinopla que desfrutavam de grande autoridade.

As comunidades menores buscavam conselhos nesses lugares para assuntos mais graves, sendo que a maior influência foi a dos bispos de Roma.

Com o passar do tempo, os bispos de Roma se acharam mais importantes do que os outros bispos e se atribuíram o direito de somente eles poderem decidir as coisas no Reino de Deus. Também ficavam muito irritados quando alguém resolvia não se submeter ao seu julgamento. Passaram a afirmar que o apóstolo Pedro fora o fundador da comunidade em Roma e seu bispo, durante um longo período.

Gregório VII, antes monge Hildebrando, ocupou o trono papal em 1073.Proibiu o casamento dos sacerdotes e exigiu que todos recebessem o seu cargo e seus territórios não do poder secular, mas unicamente de suas mãos. Ele dizia: “Assim como a Lua recebe a sua luz do sol, assim os imperadores e príncipes devem ser investidos no poder através do papa. O papa é o representante de Cristo na terra. Por isso, todos os senhores e poderosos deste mundo lhe devem obediência. Somente ele tem o direito e o poder de empossar e de depor” (JUST, 2003, p. 28).

O surgimento do papado em Avignon

De 1309 a 1378, a sede do papado foi transferida para Avignon (França), levando o seu poder para lá. O que se via neste papado, segundo um poeta da época, chamado Petrarca, era luxúria e mundanalidade; a corte papal era para ele o “esgoto do mundo” (LINDBERG, 2001, p. 59). Críticos começaram a murmurar, dizendo que Jesus havia dito a Pedro para apascentar as ovelhas (Jo 21.15-17) e não tosquiá-las.

Em março de 1378, com a morte do papa Gregório XI, o papado voltou para Roma. Lá, por pressão da população, foi escolhido Urbano VI. Só que em setembro daquele ano, por conta da personalidade intempestiva de Urbano, os cardeais alegaram que a eleição tinha sido inválida. Então escolheram Clemente VII para ser papa. A partir de então, um residia em Roma e outro em Avignon. O problema é que os dois se consideravam papas e um excomungou o outro. E agora? A quem se deveria honra e autoridade papal? Quem seria o representante de Cristo na terra? Por causa disso, o prestígio do papado caiu muito.

 Em 1409, cardeais de cada um dos papas reuniram-se para um concílio, no qual decidiram depor os dois papas considerando-os como cismáticos e hereges notórios, elegendo um novo papa, Alexandre V, arcebispo de Milão. Só que o Concílio foi considerado ilegítimo. Imaginem o que aconteceu? Agora a Igreja tinha três papas!

Escândalos

E ainda havia escândalos de bispos que faziam pouco caso do celibato, relacionando-se com mulheres e, às vezes, ainda tendo uma concubina. Se essa era a situação entre o alto clero, entre os padres paroquianos não era diferente. Muitos sacerdotes tinham filhos com mais do que uma mulher.

Imaginem a confusão na cabeça daquelas pessoas. Algumas das questões eram: Onde está a autoridade para decidir entre questões religiosas? No papado? Nos concílios? Ou na Palavra de Deus? Poucos tinham acesso à Palavra de Deus, e os que tinham, na maior parte do tempo ainda se envolviam em escândalos. Será que é possível confiar na igreja?

Mas nem todos aceitaram calados esses desvios. De alguns talvez já ouvimos falar, outros talvez hoje nem são lembrados.

Conclusão

Os fatos lembrados nesse estudo mostram que os seres humanos são falhos, mas que o nosso Deus é bondoso e nos dá o grande privilégio de conhecermos a sua Palavra, e, assim, o Salvador Jesus.

Nas próximas edições falaremos sobre homens que lutaram pela fé cristã, como João Wyclif e João Hus, que antecederam a Lutero.

“A erva seca, e as flores caem quando o sopro do Senhor passa por elas. De fato, o povo é como a erva. A erva seca, a flor cai, mas a palavra do nosso Deus dura para sempre” (Is 40.7,8).

 

Referências Bibliográficas

GONZÁLES, Justo L. E até os confins da terra. Uma história ilustrada do Cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 1995, v.6.

JUST, Gustav. Deus despertou Lutero. Porto Alegre: Concórdia, 2003.

LINDBERG, Carter. As Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001.

 

Pastor Clóvis Renato Leitzke Blank – Conselheiro LLLB

HOMENS DA BÍBLIA – ZACARIAS

ZACARIAS – O pai de João Batista

 

Você sabia que existem vários Zacarias na Bíblia? Segundo um dos dicionários bíblicos em que pesquisei, são 34 Zacarias diferentes na Bíblia.Mas não se preocupe. Não vamos estudar todos eles nesta edição.Queremos conhecer um pouco mais de perto Zacarias,pai de João Batista.

O nome, Zacarias, significa em hebraico “O SENHOR lembrou”. E ao olharmos a história desse homem, isso faz muito sentido. Vamos ver?

Zacarias era um sacerdote do grupo dos sacerdotes de Abias. Os sacerdotes do povo de Israel eram divididos em 24 grupos, cada um composto de várias famílias.

Ele e sua mulher, Isabel, eram pessoas corretas, que obedeciam fielmente a todas as leis e mandamentos do Senhor (Lc 1.6).Isabel era parenta de Maria de Nazaré, a mãe do Salvador Jesus.O casal morava na região montanhosa da Judéia (Lc 1.39).

O fato marcante na história do nosso personagem acontece quando chega a sua vez de queimar o incenso no templo, cumprindo assim sua tarefa de sacerdote.A tarefa de queimar incenso era um privilégio, pois um sacerdote poderia fazer isso poucas vezes durante a sua vida.

EnquantoZacarias orava no templo, um anjo lhe apareceu e disse que sua esposa ficaria grávida e daria à luz um filho,cujo nome seria João (Lc 1.13-17).Ele ficou muito espantado, pois eles já eram velhos (Lc 1.18) e era muito difícil acreditar que isso poderia se tornar realidade,por isso pede ao anjo uma prova para que pudesse crer.A prova foi recebida. Zacarias duvidou da mensagem de Deus enviada pelo anjo e ficou mudo até o dia do nascimento do seu filho (Lc 1.19-20).

Os vizinhos e parentes queriam colocar o nome de Zacarias na criança, mas aí o pai do menino escreveu em uma tabuinha: “O nome dele é João” (Lc 1.63).

Depois que João nasceu,Zacarias voltou a falar e começou a louvar a Deus. O filho tão esperado tinha nascido e se tornou um grande precursor e anunciador de Jesus Cristo.

ENSINAMENTOS

– A história de Zacarias tem dois grandes ensinamentos: um sobre a oração e outro sobre o grande poder de Deus.

– Você já teve um momento em sua vida em que parou de orar porque pensou que Deus não poderia mais atender o seu pedido? Às vezes pensamos que Deus não pode mudar certa situação ou que existe algo impossível. É verdade que Deus é soberano e age conforme quer, e sempre para o nosso bem (Rm 8.28). Nem sempre Deus nos dará aquilo que queremos. Mas também precisamos lembrar o que o anjo disse a Maria, mãe de Jesus: “Porque para Deus nada é impossível” (Lc 1.37).

– Devemos fazer o que o apóstolo Paulo nos ensina em 1Tessalonicenses 5.17: “Orem sempre”. Toda nossa vida deve ser colocada nas mãos do nosso Deus.

– O segundo ensinamento mostra o grande poder de Deus. Apesar da idade avançada de Zacarias e Isabel, Deus fez com que eles pudessem ter um filho. Se dependesse da confiança de Zacarias ou da idade deles, será que poderiam ser pais? Não. Deus é gracioso conosco. Apesar de nossa fraqueza de fé e de nossas limitações, ele mostra o seu poder em amor.

– Que assim como Zacarias, possamos também louvar o nosso Deus pelas maravilhas que ele faz em nossa vida. O “SENHOR lembrou-se de Zacarias”.

VERSÍCULO-CHAVE:

“O anjo respondeu: – Eu sou Gabriel, servo de Deus, e ele me mandou falar com você para lhe dar essa boa notícia. Você não está acreditando no que eu disse, mas isso acontecerá no tempo certo” (Lc 1.19-20).

Pastor Clóvis Renato Leitzke Blank – Conselheiro da LLLB

HOMENS DA BÍBLIA – JOSÉ (II)

JOSÉ – A arte de perdoar (II)

 

Na reflexão do mês de julho, relembramos alguns fatos importantes deste grande homem da Bíblia, José, filho de Jacó.

Destacamos o amor quase exagerado que seu pai tinha por ele, em detrimento do amor demonstrado aos seus irmãos. Lembramos que a inveja fez com que esses irmãos o vendessem como escravo, e que ele foi parar no Egito, onde trabalhou para um homem importante, chamado Potifar. A mulher de Potifar interessou-se por José, mas não foi correspondida. Então, ela acusou José falsamente de tentar abusar dela.  Acreditando nas palavras de sua esposa, Potifar mandou que José fosse preso.

DESTAQUES

? No cárcere, José continuou fiel ao Senhor Deus e foi colocado acima dos outros prisioneiros para tomar conta deles: “O Senhor, porém, era com José, e lhe foi benigno, e lhe deu mercê perante o carcereiro; o qual confiou às mãos de José todos os presos que estavam no cárcere…” (Gn 39.21-22).

? Deus deu a José a habilidade de interpretar sonhos, e ele interpretou os sonhos de dois outros prisioneiros: ao copeiro-chefe do rei, José disse que ele seria livre para servir ao rei novamente. E ao padeiro-chefe do rei, José disse que ele seria morto. Os sonhos foram cumpridos.

? José havia pedido ao copeiro chefe: “… lembra-te de mim quando tudo te correr bem… faças menção de mim a faraó…” (Gn 40.14). Diz o texto Sagrado: “O copeiro-chefe, todavia, não se lembrou de José, porém dele se esqueceu” (Gn 40.22).

? Dois anos depois, o Faraó teve um sonho estranho: sete vacas vistosas e gordas foram devoradas por sete vacas feias e magras; e sete espigas cheias e boas, devoradas por sete espigas mirradas e feias (Gn 41.2-7).

? O Faraó mandou chamar todos os magos do Egito e todos os sábios, mas ninguém sabia interpretar os sonhos. O copeiro-chefe lembrou-se se José. E ele foi chamado à presença do Faraó.

? “Então, lhe respondeu José: O sonho de Faraó é apenas um: Deus manifestou a Faraó o que há de fazer” (Gn 41.25). E José explicou sobre os sete anos de fartura e os sete anos de fome, e também sobre as providências que deveriam ser tomadas. E Faraó o colocou como governador e o incumbiu de gerenciar as colheitas e seu armazenamento. José tinha 30 anos de idade quando isso aconteceu (Gn 41.46).

? Durante o período de escassez, Jacó pediu a seus filhos que fossem ao Egito comprar mantimentos. E eles acabaram se encontrando com José, que os reconheceu. “Porém eles não o reconheceram” (Gn 42.8).

? José, sem se revelar, acusou os irmãos de serem espiões, e deteve Simeão no cárcere até que trouxessem Benjamim ao Egito. Quando os filhos voltaram e explicaram o que tinha acontecido, Jacó recusou-se a deixar Benjamim ir com eles, pois não queria perder ambos os filhos de Raquel. No ano seguinte, quando a fome continuou, Jacó consentiu em enviar Benjamim com seus outros filhos ao Egito. José fez com que parecesse que Benjamim havia furtado um copo de prata dele, e o prendeu. Os irmãos de José, especialmente Judá, rogaram-lhe que deixasse Benjamim voltar ao pai. José, vendo que os irmãos haviam mudado, revelou-se a eles: “Eu sou José; vive ainda o meu pai?” (Gn 45.3).  Então ele enviou carros a Jacó, e Jacó e seus descendentes desceram ao Egito.

ENSINAMENTOS

? Quando Deus tem um plano, ele se concretiza. Nas muitas linhas tortas da história de José, vemos a ação do Senhor todo poderoso para preservar seu povo (Gn 50.24). A família de Jacó poderia ter sido extinta pela fome, mas Deus providenciou a solução. Ao mesmo tempo foi moldando o caráter dos seus filhos, através das muitas cenas dessa história.

? Tanto para a vida de José, como para a minha e a sua, Deus sempre tem um plano interessante e maravilhoso: que cresçamos na nossa fé e dependência dele.

  ? O perdão que José concedeu a seus irmãos é um dos exemplos mais bonitos de toda a Escritura Sagrada. Ele poderia seguir a lei do “olho por olho…”, mas o “perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem” (Lc 23.34) foi seu desafio e sua conduta.

? Seus irmãos se apavoraram quando o ouviram dizer: “Eu sou José…” (Gn 45.3). Ele deve ter dito isso em hebraico, sua língua materna! E se consolaram quando falou: “Agora, pois, não vos entristeçais, nem vos irriteis contra vós mesmos por me haverdes vendido para aqui; porque, para conservação da vida, Deus me enviou adiante de vós” (Gn 45.5-6).

? José morreu no Egito, depois de passar mais de 90 anos da sua vida longe da sua terra. Contudo, ele não abriu mão da certeza de que Deus um dia, finalmente, cumpriria a promessa de entregar a terra prometida de Canaã na mão dos seus irmãos, os herdeiros da aliança que Deus fizera com Abraão.

? Esta é, sem dúvida nenhuma, uma das mais belas histórias do Antigo Testamento. A história de José é muito mais do que o simples retrato de um homem de grande caráter e fé. É a história de um homem que, apesar de viver momentos opostos – de intenso sofrimento e de poder e riquezas – não se afastou do seu Deus e Senhor. E mais do que isso: é a história deste Deus, sempre presente junto ao seu povo, com perdão e graça, com ajuda e livramento.

VERSÍCULO-CHAVE:

“Vós, na verdade, intentastes o mal contra mim; porém Deus o tornou em bem…” (Gn 50.20).

Pastor Adelar Munieweg – Conselheiro da LLLB

A CAMINHO DOS 500 ANOS – TETZEL NÃO MORREU

TETZEL NÃO MORREU

 

Há muitos nomes significativos e conhecidos na história e nas Escrituras Sagradas: Miguel, Gabriel, Ezequiel, Daniel, Joel… e tantos outros que terminam em “el”. Essas duas letras são significativas. Em diversas línguas semíticas, formam uma palavra que quer dizer: alto, acima, elevado. Na língua hebraica, “el” refere-se a Deus.

Há um personagem muito conhecido quando se fala ou escreve sobre a Reforma do século XVI. Seu nome está acima, no título. E apesar de também terminar de uma maneira tão bonita e bíblica, apesar de o seu nome ter a ver com Deus, as práticas desse homem eram abomináveis. Tenho convicção de que as pregações e práticas de Tetzel inspiraram Martinho Lutero quando escreveu as tão famosas 95 teses.

Johann Tetzel nasceu em Leipzig, em 1465, e faleceu na mesma cidade, em 1519. Assim como Lutero, também era um monge dominicano e estudou Filosofia e Teologia em sua cidade natal. Também tornou-se doutor em teologia e foi incumbido pelo Papa, em 1502, a ser um vendedor de indulgências (papéis assinados pelo supremo pontífice que concediam perdão), cujos recursos financeiros também ajudariam na construção da Basílica de São Pedro, em Roma. Quando Lutero publicou suas teses em 1517, Tetzel já tinha longos 15 anos de experiência como um vendedor de bênçãos espirituais e materiais.  Gustav Just, em sua obra Deus despertou Lutero, escreve acerca de Tetzel:  “Ele garantia que todo aquele que comprasse um breve de indulgência não receberia somente perdão dos pecados, mas também a remissão nesta vida e no purgatório… Em Santa Anaberg, ele prometeu aos pobres mineiros que, se eles comprassem indulgências em grande quantidade, todos os morros circunvizinhos se transformariam em prata pura” (JUST, 2014, p.62)

Segundo Just, quando Tetzel chegou nos arredores de Wittenberg, onde Lutero era pregador, este relatou: “Nessa época eu era pregador no convento e um jovem doutor, cheio de entusiasmo e ardor pelas Escrituras. Quando vi, então, muita gente de Wittenberg correr para Jüterbock e Zerbst em busca de indulgência, comecei a pregar, com toda clareza, que havia coisa melhor e mais certa a fazer do que comprar indulgências. Quem se arrependesse verdadeiramente, receberia o perdão dos pecados, o qual Cristo adquiriu para nós mediante seu próprio sacrifício e sangue, e nos oferece sem dinheiro, somente por graça” (JUST, p.63).

O incrível dos relatos de venda e compra de indulgências é que algumas pessoas não mais estavam interessadas em corrigir sua vida pecaminosa. Por que arrepender-se? Por que largar seus “pecados preferidos”? Era possível, segundo os sermões de Johann Tetzel, pagar e ficar com “as contas zeradas” entre o pecador e o Criador. A estes, Lutero teria respondido: “Se, porém, não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis” (Lc 13.3) (JUST, p.63).

No livro Conversas com Lutero, um diálogo imaginário com o Reformador, com respostas baseadas em seus escritos, há uma pergunta interessante: Por que o povo compra indulgências? Lutero responde: “Porque os fiéis veem na indulgência uma oportunidade de se protegerem do purgatório e do juízo eterno. Em alguns casos, os pregadores de indulgências dão sermões horrorizantes sobre o fogo do inferno por razões óbvias. Acontece, então, o perfeito casamento entre a vontade de vender e a vontade de comprar” (CESAR, 2006, p.77).

Tetzel morreu? Sem dúvida o personagem histórico não está mais entre os vivos. Mas seu discurso, pensamento e práticas continuam bem presentes nos dias atuais. Quem pensa que as aberrações e enganações do século XVI fazem parte de um passado distante, não está prestando atenção no que acontece no cenário religioso atual. Não apenas os mineiros alemães ouviram promessas de montanhas transformarem-se em prata pura. Hoje, alguns vendedores de ilusões afirmam, com convicção, que em seus templos “dentes cariados transformar-se-ão em dentes de ouro”. Mudam os nomes, as épocas, os modos e a forma, mas os vendedores de indulgências multiplicam-se sobremaneira em nossos dias. E o perfeito casamento entre quem quer vender e aqueles que desejam as benesses espirituais, sem arrependimento e fé, continuam lotando os templos. Os vendilhões religiosos arrebanham fiéis e mudam o design das indulgências no século XXI. Papéis assinados pela alta autoridade são substituídos por medalhas, óleos, flores, visitas a construções suntuosas, objetos, sal grosso e até vestimentas dos seus líderes manchadas de sangue. Basta a “unção” ou “bênção” dos bispos, apóstolos, profetas e missionários modernos e a estrada ou porta estreita do arrependimento transforma-se, num piscar de olhos, em milagres e facilidades. Tetzel sentiria inveja dos seus “colegas vendedores”, se vivesse em nossos dias.

A seriedade da teologia cristã e os pilares do somente a Escritura, graça e fé precisam ser cridos, vividos, defendidos e proclamados de todas as formas. Temos a coragem que Lutero teve?  É tempo de arrependimento. É tempo de Reforma!

“Ao dizer: fazei penitência, etc (Mt 4.17), nosso Senhor e Mestre Jesus Cristo quis que toda a vida dos fiéis fosse penitência” (Tese 1).

“O Verdadeiro tesouro da Igreja é o santíssimo Evangelho da glória e da graça de Deus” (Tese 62).

         Pastor Adelar Munieweg – Conselheiro da LLLB

REFERÊNCIAS

CESAR, Elben Magalhães Lenz. Conversas com Lutero: história e pensamento. Viçosa, MG: Ultimato, 2006.

JUST, Gustav. Deus despertou Lutero. Porto Alegre: Concórdia, 2014.

LUTERO, Martinho. Obras Selecionadas. V. I. Porto Alegre: Concórdia; São Leopoldo: Sinodal,  1987.

Homens da Bíblia – José (I)

JOSÉ – O filho de Jacó e Raquel

 

José nasceu quando Jacó, seu pai, ainda trabalhava para seu sogro, Labão. Foi o primeiro filho de Raquel, a mulher a quem Jacó realmente amava. José era o décimo primeiro filho de Jacó, e seu nome significa algo parecido com “Dar mais” ou “Que Deus acrescente”. Sua mãe lhe deu esse nome como expressão do seu desejo de ter outro filho – o que aconteceu com o nascimento de Benjamim: “Que o Senhor Deus me dê mais um filho. Por isso pôs nele o nome de José” (Gn 30.24).

DESTAQUES – Gênesis 37 a 50

Jacó teve seu filho José com sua amada Raquel, quando já era velho, com cerca de 91 anos de idade. O texto Bíblico diz: “… e por isso ele o amava mais do que a todos os seus outros filhos” (Gn 37.3).

– Um “amor além da medida” que Jacó demonstrava por José e uma túnica dada a ele serviram de incentivo para o ódio dos irmãos (Gn 37.3-4).

– Se não bastassem os motivos acima listados, José ainda costumava ter uns sonhos que contava aos seus irmãos. E nesses sonhos José sempre era o mais importante: “… E ficaram com mais ódio dele ainda por causa dos seus sonhos e do jeito que ele os contava” (Gn 37.8).

– José também tinha sido incumbido pelo pai de ser uma espécie de “fiscal” do trabalho dos seus irmãos: “E José contava ao pai as coisas erradas que os irmãos faziam” (Gn 37.2).

– A maioria dos irmãos então planejou matar o “queridinho do papai” e “dedo duro”, José. O irmão mais velho, Rúben, até tentou salvar seu irmão, sugerindo que ao invés de matá-lo, que o jogassem num poço; “Rúben disse isso porque planejava salvá-lo dos irmãos e mandá-lo de volta ao pai” (Gn 37.22).

– Os irmãos arrancaram a túnica de José (que ciúmes daquela peça de roupa e do que ela significava!), jogaram ele no poço e, depois, por sugestão de Judá, que também não queria a morte do irmão, venderam-no a uma caravana de ismaelitas que estava indo em direção ao Egito. Para ter o que dizer ao pai, “mataram um cabrito e com o sangue mancharam a túnica de José. Depois levaram a túnica ao pai…” (Gn 37.31-32).

– No Egito, um oficial do Faraó, chamado Potifar, comprou José para ser seu escravo. José era fiel e recebeu a responsabilidade de cuidar da casa do seu senhor (Gn 39.4).

– A esposa de Potifar tentou fazer com que José pecasse, mas ele recusou: “Todos os dias ela insistia que ele fosse para a cama com ela, mas José não concordava e também evitava estar perto dela” (Gn 39.10).

– Como não teve sucesso, a mulher inverteu a história e José foi acusado de tentar abusar dela (Gn 39.17).

– A consequência é que Potifar “… agarrou José e o pôs na cadeia onde ficavam os presos do rei” (Gn 39.20).

ENSINAMENTOS

– A inveja sempre causa muitos problemas, especialmente entre irmãos. Quando um pai ou uma mãe amam mais um filho em detrimento de outro(s), coisas desagradáveis podem acontecer.

– Jacó, o pai de José, havia enganado o seu próprio pai (Isaque) com a pele de cabritos e, posteriormente, foi enganado pelos seus filhos com o sangue de um cabrito. Pecados, mentiras, enganações têm as suas consequências. Isso nos faz lembrar de Gálatas 6.7: “O que uma pessoa plantar, é isso mesmo que colherá”.

– Depois de ser vendido como escravo e passar um curto período de tranquilidade, José acabou na cadeia por não ter cedido à tentação. Uma frase sua que ficou na história e que é um exemplo a ser seguido foi a que disse justamente quando a esposa de Potifar o assediava com um convite ao pecado: “Como poderia eu fazer uma coisa tão imoral e pecar contra Deus?”(Gn 39.9). Ele sabia que, caso cedesse à tentação, não estaria prejudicando apenas seu senhor terreno, Potifar, mas ofendendo seu Senhor Eterno.

– Como você querido leigo, serva, jovem, cristão, filho(a) amado(a) do Senhor, tem agido e reagido diante de tantos convites que podem afastá-lo da vontade do Senhor e do caminho da salvação?

– Ao pensar no poço em que foi jogado, no desprezo recebido dos irmãos, na venda como escravo e na cadeia em que foi parar, talvez José se perguntasse: “Onde o Senhor está? Por que comigo?”.  Em muitos momentos ficamos pensativos ao refletir sobre a história do povo de Deus e sobre a nossa própria história. Nem sempre vamos entender os planos do Senhor. Todo o sofrimento de José (e o nosso também!) nos levam a pensar que, por vezes, Deus permite que seus filhos sofram. Mas isso pode acontecer para que, por meio do sofrimento, Deus produza um bem maior, na nossa vida ou na vida dos que nos cercam.

– Deus sempre esteve e está no comando da história. Ele é o Senhor dela! Quando a Escritura Sagrada diz que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8.28), precisamos confiar. Muitas vezes queremos a(s) resposta(s) hoje. Talvez Deus nos faça entender certas coisas amanhã. Ou depois. Ou nem vamos entender!

– “Entrega o teu caminho [vida, lutas, preocupações, sofrimentos, perguntas não respondidas…] ao Senhor, CONFIA nele e o mais ele fará”, não é apenas o lindo salmo 37.5. É uma declaração de fé! Crer sem ver. Crer sem entender.

– Quando olhamos para o final dessa história, somos surpreendidos e chegamos à conclusão que, até nas coisas ruins, Deus trabalhou e estava controlando tudo, para o cumprimento das suas promessas e planos. Apesar de todos os pecados e dramas, Deus tinha e tem um plano de amor.

VERSÍCULO-CHAVE

“Como poderia eu fazer uma coisa tão imoral e pecar contra Deus?” (Gn 39.9).

Pastor Adelar Munieweg – Conselheiro da LLLB

Homens da Bíblia – Judá

JUDÁ

 

O nome Judá vem do hebraico, e significa louvor. Judá foi o quarto filho de Jacó e de sua mulher Lia. Jacó tinha duas mulheres: Lia e Raquel. Jacó amava mais a Raquel do que a Lia. Lia, então, pensou que por meio da gravidez pudesse fazer com que Jacó a amasse mais, e ela expressou isso quando do nascimento dos três primeiros filhos (Gn 29.32-35).

Quando nasceu Judá, no entanto, ela teve uma reação diferente. Ao invés de dizer que o filho seria para que seu marido a amasse mais, apenas disse: – Desta vez louvarei a Deus, o SENHOR (Gn 29.35).

Judá casou-se com uma mulher de Canaã, filha de Sua, da qual teve dois filhos, Her e Onã, os quais sofreram a morte por causa das coisas erradas que fizeram (leia Gn 38.1-10). Depois ainda teve um terceiro filho chamado Selá. Posteriormente, a esposa de Judá morreu, e ele teve mais dois filhos gêmeos de Tamar, viúva de seu filho Her, os quais tiveram o nome de Peres e Zerá (Gn 38.29-30). Pela linha genealógica de Perez, Judá passou a ser antecessor de Davi (Rt 4.18-22). E depois, foi da descendência de Davi que nasceu Jesus.

Foi Judá quem salvou a vida de seu irmão José. Os irmãos de José queriam matá-lo, porém Judá propôs que ele fosse vendido aos ismaelitas (Gn 37.26-27). Quando José, no Egito, ainda desconhecido pelos irmãos, exigiu que Benjamim ficasse detido como escravo, foi Judá quem intercedeu a seu favor, oferecendo-se para ficar em seu lugar (Gn 44.18-34). Depois desse discurso, José revelou-se aos seus irmãos e os ajudou (Gn 45).

Judá recebeu o direito de primogenitura, pois seus irmãos mais velhos (Rúben, Simeão, Levi) haviam cometido graves pecados. Jacó disse que os descendentes de Judá sempre governariam (Gn 49.10). 

ENSINAMENTOS

– Tudo o que fizermos deve ser para a glória de Deus. Muitas vezes temos a tendência de tomar decisões e atitudes pensando em nossos interesses pessoais. Quando fazemos isso, seguidamente saímos frustrados, pois nem sempre somos reconhecidos. Assim aconteceu com Lia: com o nascimento dos três primeiros filhos, ela pensou que seu marido a amaria mais, mas isso não aconteceu. Com o nascimento de Judá, ela apenas louvou ao SENHOR.

– Em Romanos 12.1, o apóstolo Paulo nos escreve que devemos nos oferecer completamente a Deus como um sacrifício vivo. E ele diz que esta é a verdadeira adoração. Assim, queridos amigos leigos, deve ser a nossa vida, não para o nosso louvor. O que fazemos não deve ser para que sejamos reconhecidos por alguém, mas toda nossa vida deve ser para louvar ao SENHOR.

– A atitude de Judá, de propor a venda do irmão ao invés da sua morte, talvez não foi a mais acertada, mas salvou José de ser morto pelos próprios irmãos. Como cristãos, devemos demonstrar em nossa vida pessoal o amor pelo próximo, lutando pelo seu bem-estar e ajudando-o em suas necessidades. Dessa forma estaremos glorificando a Deus por meio de nossas atitudes.

– Em Apocalipse 5.5 há uma referência a Jesus como o Leão de Judá, por ele ser descendente de Judá, que foi comparado a um leãozinho (Gn 49.9) por seu pai, Jacó.

– A ação de Judá, de colocar-se no lugar do irmão, Benjamim, nos aponta para a ação de Jesus, que se colocou em lugar de toda a humanidade para nos salvar da escravidão do pecado e nos dar a vida eterna.

VERSÍCULO-CHAVE

“Por isso agora eu peço ao senhor que me deixe ficar aqui como seu escravo em lugar do rapaz. E permita que ele volte com seus irmãos” (Gn 44.33).

Pastor Clóvis Renato Leitzke Blank – Conselheiro da LLLB

Homens da Bíblia – Jacó

JACÓ – O enganador que foi enganado

 

Poderíamos resumir a história de Jacó – filho de Isaque e Rebeca, neto de Abraão e irmão gêmeo de Esaú – em algumas palavras. Uma delas é: luta! E essa luta já começou antes do dia do seu nascimento. Diz Gênesis 25 que Rebeca não podia ter filhos, e Isaque orou a Deus em favor dela. Deus ouviu a oração, Rebeca ficou grávida e “na barriga dela havia gêmeos, e eles lutavam um com o outro” (v.22). Ela perguntou a Deus o porquê disso e ele respondeu: “No seu ventre há duas nações; você dará à luz dois povos inimigos. Um será mais forte do que o outro, e o mais velho será dominado pelo mais moço” (Gn 25.23).

Segundo o relato bíblico, Isaque (o pai) se identificava mais com Esaú, que era caçador, e Rebeca (a mãe), com Jacó, que era mais pacato e habitava em tendas.

Um fato marcante na vida de Jacó foi a parceria da sua mãe para enganar o pai e tirar de Esaú o “direito de primogenitura” (Gn 25.31). O filho mais velho era o sucessor do pai como chefe da família e tinha direito ao dobro da herança. Além da herança, o que estava em jogo também era a bênção proferida pelo pai.

Quando Jacó “passa a perna” em Isaque (fato digno de enredo de novela), a palavra que poderia resumir a vida de Jacó é: enganação!

A fim de não ser morto pelo próprio irmão, Jacó precisou fugir para a terra de Harã. Lá morava um irmão de sua mãe, chamado Labão, e naquela terra, Jacó acabou provando do seu “próprio veneno”. Após 20 anos de trabalho, constituir família e prosperar economicamente, Jacó empreendeu nova fuga, desta vez do seu sogro, que foi atrás dele. Nesse encontro houve conversa franca e reconciliação. Logo em seguida, Jacó passou pela experiência da luta com Deus e do encontro com seu irmão Esaú. Novamente vemos que a misericórdia e a graça predominaram.

A história de Jacó e seus familiares tem altos e baixos: pecado e perdão, fugas e reencontros, idolatria e oração, amor e ódio fazem parte da vida dos nossos patriarcas. Há muitos exemplos do que fazer e do que não fazer na história de Jacó – o enganador que foi enganado, o pecador que foi perdoado.

DESTAQUES

– Patriarca, filho de Isaque e Rebeca (Gn 25.26);

– comprou de seu irmão Esaú o direito de primogenitura (Gn 25.27-34);

– com a ajuda da mãe, enganou seu pai para receber a bênção (Gn 27.23);

– fugiu para preservar sua vida (Gn 27.41-44);

– teve a visão da escada (Gn 28.12);

– chegou à casa do seu tio e apaixonou-se por Raquel, por quem trabalhou sete anos (Gn 29.9-21);

– Jacó foi enganado pelo seu tio Labão e casou-se com Léia. Precisou trabalhar mais sete anos para casar-se com Raquel; (Gn 29.28);

– a história do nascimento de seus 12 filhos (Gn 29.31 a 30.23);

– fugiu de Labão (Gn 31);

– lutou com Deus (Gn 32);

– teve o nome mudado para Israel (Gn 32.28 e 35.10);

– a emocionante reconciliação com Esaú (Gn 33);

– a morte da mulher amada (Raquel) – Gn 35;

– voltou para morar com Isaque, e, com seu irmão Esaú, sepultou o pai. (Gn 35.27-29);

– repetiu o erro de sua mãe e de seu pai: escolheu um filho e amou mais este que os outros (Gn 37.3);

– desceu ao Egito (Gn 46);

– abençoou os filhos de José (Gn 48);

– abençoou todos os seus filhos (Gn 49);

– morreu e foi sepultado em Canaã (Gn 50.13);

– Jacó teve uma filha mulher (Diná) e 12 filhos homens (Ruben, Simeão, Levi, Judá, Dã, Gade, Aser, Naftali, Issacar, Zebulom, José e Benjamim). Destes formaram-se as 12 tribos de Israel. De uma das tribos veio o Messias!

ENSINAMENTOS

– O nascimento de Jacó foi uma resposta de Deus às orações de Isaque, após 20 anos de esterilidade de sua esposa, Rebeca.

– A enganação dentro da própria família teve um preço muito caro: Jacó precisou abandonar seus pais para salvar sua vida. Por muitos anos contou com o ódio do seu irmão.

– Histórias como essa deveriam servir de alerta e orientação para as famílias. Quando um filho é o preferido, os outros podem viver feridos.

– Mesmo tendo a fama de “enganador”, por tudo o que fez de errado contra seu pai e seu irmão, Deus foi misericordioso com Jacó ao ponto do seu nome estar na galeria dos heróis da fé de Hebreus 11, e do Salvador Jesus vir ao mundo na linhagem desta sua família imperfeita.

– Até nas coisas tortas e erradas que aconteceram na história do seu povo, Deus trabalhou para que seus planos se cumprissem.

– Apesar do ódio de Esaú num primeiro momento, anos mais tarde os irmãos se encontraram, e um fato marcante foi registrado em Gênesis 33.4: “Porém Esaú saiu correndo ao encontro de Jacó e o abraçou; ele pôs os braços em volta do seu pescoço e o beijou. E os dois choraram”.

– As famílias do povo de Deus ao longo dos séculos são cheias de pecados e imperfeições. Há momentos difíceis, lutas, falsidade, ódio. Mas, felizmente, há abraços, beijos, bênção, graça e perdão.

VERSÍCULO-CHAVE:

“Foi pela fé que Jacó, pouco antes de morrer, abençoou os filhos de José. Ele se apoiou na sua bengala e adorou a Deus” (Hb 11.21).

Pastor Adelar Munieweg – Conselheiro da LLLB

Homens da Bíblia – Ismael

ISMAEL – Protegido por Deus

Na edição passada falamos sobre Isaque, filho de Abraão e Sara. Nesta, quero convidá-los a conhecer um pouco da vida do meio-irmão de Isaque: Ismael.

Ismael era filho de Abraão com a escrava egípcia Agar, que nasceu quando Abraão tinha 86 anos de idade.

Poderíamos dizer que Ismael nasceu para dar um “jeitinho brasileiro”. Abraão e Sara não eram brasileiros, mas essa expressão é usada onde há uma situação problemática e procedimentos que não são os mais corretos são adotados para resolvê-la.

Foi o que aconteceu com Abrão e Sarai (os nomes deles antes de serem mudados por Deus). Vendo que já estavam idosos, acharam que a promessa de Deus de que eles seriam pais de uma grande nação não poderia mais ser cumprida. A única forma seria o que Sarai sugeriu: “Já que o SENHOR Deus não me deixa ter filhos, tenha relações com a minha escrava; talvez assim, por meio dela, eu possa ter filhos” (Gn 16.2).

Naquela época era comum esse tipo de atitude. Isso era permitido pelas “leis humanas” baseadas no Código de Hamurabi. A esposa que não podia ter filhos costumava dar ao seu esposo uma criada que lhe gerasse filhos, os quais seriam considerados filhos da esposa. No caso, o filho de Agar seria considerado filho de Sarai. Mas apesar da “lei humana” permitir que um homem tivesse mais do que uma mulher, não era essa a vontade de Deus.

O que aconteceu é que Agar foi entregue a Abrão e dela nasceu Ismael, que significa “Deus ouve”. Houve desavenças entre Agar e Sarai (Gn 16). Algum tempo depois do nascimento de Isaque (filho de Abraão e Sara), Sara pediu a Abraão que mandasse Agar e Ismael embora (Gn 21), e assim aconteceu. Apesar do menino e sua mãe terem sido mandados embora, Deus cuidou de Ismael.

 DESTAQUES

– Ismael foi circuncidado quando tinha 13 anos, e Abraão, no mesmo dia (Gn 17.24-25);

– Agar e seu filho Ismael foram mandados embora e peregrinaram no deserto de Berseba. Eles passaram por um momento de grande sede, onde Ismael chorou e Agar pensou: “Não suporto ver o meu filho morrer”. Mas Deus não os abandonou e providenciou água para que eles pudessem beber (Gn 21.14-19);

– Ismael cresceu no deserto de Parã e tornou-se um hábil atirador de flechas (Gn 21.20-21);

– a promessa de Deus se cumpriu e Ismael foi pai de doze príncipes e chefe de um grande povo;

– uma das filhas de Ismael casou-se com Esaú (Gn 28.9).

ENSINAMENTOS

– O pecado traz consequências graves para o ser humano, entre elas, a mais terrível que é a morte, e também muitos outros problemas de dores e aflições. Vemos isso de forma clara nas desavenças entre Sara e Agar;

– apesar de todos os erros humanos, Deus sempre é fiel e bondoso com todas as pessoas. Assim aconteceu com Ismael. Ele nasceu de uma relação que não era agradável a Deus, mas o Senhor não o amaldiçoou e nem o abandonou. Ele esteve com Ismael e fez dele o pai de uma grande nação;

– desobedecer à vontade de Deus, dar o nosso “jeitinho”, faz com que soframos consequências nada agradáveis. Precisamos ouvir e cumprir a vontade de Deus em nossa família, trabalho e em nossos desafios como leigos. Fazer a vontade de Deus faz com que evitemos muitas “dores de cabeça”;

– apesar do ser humano teimar em dar um “jeitinho”, o jeito de Deus agir é sempre o mesmo: com amor, com misericórdia;

Deus ordenou que todos os descendentes homens da família de Abraão fossem circuncidados. Assim também aconteceu com Ismael. Isso era um sinal visível da aliança de Deus também com Ismael e nos mostra claramente que Deus, apesar dos erros humanos, não quer cuidar e salvar apenas algumas pessoas, mas todas.

VERSÍCULO-CHAVE:

Protegido por Deus, o menino cresceu. Ismael ficou morando no deserto de Parã e se tornou um bom atirador de flechas” (Gn 21.20).

Pastor Clóvis Renato Leitzke Blank – Conselheiro LLLB

Homens da Bíblia – Isaque

ISAQUE – Poupado; Jesus – Crucificado!

 

Estamos no tempo da Quaresma e da Páscoa, um tempo especial para relembrarmos a morte de Jesus e também sua ressurreição.

Este estudo é sobre um personagem do Antigo Testamento que nos faz pensar em várias coisas e tem uma relação muito interessante com o que lembramos em relação à morte e ressurreição de Jesus.

O personagem é Isaque. Ele é filho de Abraão e Sara. O seu nome é motivo de riso; isso mesmo, o nome Isaque significa, em hebraico, riso. Isto porque Deus havia prometido um filho a Abraão e Sara quando eles já estavam em idade avançada. Abraão tinha 100 anos e Sara tinha 90. Deus disse a eles que a promessa se cumpriria, e os dois riram (Gn 17.17-19 e Gn 18.9-15), pois não conseguiam acreditar que com a idade que tinham poderiam ter filhos.

Se pensarmos um pouco, talvez também seria essa a nossa reação se alguém dissesse que alguém com 90 anos teria um filho.

E quando Isaque nasceu, Sara disse: “Deus me deu motivo para rir. E todos os que ouvirem essa história vão rir comigo” (Gn 21.6).

Isaque nasceu, a promessa que Deus fez ao casal se cumpriu. Mas o clímax da história da vida de Isaque aconteceu depois. Isso aconteceu quando Deus pediu que Abraão oferecesse o filho em sacrifício.

Deus havia prometido a Abraão que, por meio de Isaque, ele teria uma grande descendência (Gn 21.12). Muitos acreditam que Abraão tinha a certeza de que Deus ressuscitaria o menino. O fato é que Abraão confiou em Deus e levou o filho até o monte Moriá para cumprir o que Deus lhe havia pedido, que oferecesse o filho em sacrifício.

No caminho, Isaque fez uma pergunta ao pai: “onde está o carneirinho para o sacrifício?” (Gn 22.7). E o pai lhe respondeu que “Deus dará o que for preciso; ele vai arranjar um carneirinho para o sacrifício, meu filho” (Gn 22.8).

E Deus providenciou o sacrifício. Ele ordenou que Abraão não matasse o seu filho e providenciou um carneirinho para que fosse sacrificado.

Neste mês lembramos o grande sacrifício que Deus fez pela humanidade. Enviou o seu único Filho para que morresse em nosso lugar. Veja como a história de Isaque tem a ver com a história de Jesus:

DESTAQUES (ISAQUE – JESUS)

– A tradução do Antigo Testamento para a língua grega, a Septuaginta, traz em Gênesis 22.2 “filho amado” ao invés de “filho único”. No Novo Testamento, em Mateus 3.17, o termo “filho amado” é aplicado a Jesus.

– O local do sacrifício era em Moriá. No Novo Testamento, esse lugar ficava nas vizinhanças do Calvário, onde Jesus foi crucificado.

– A colocação da lenha sobre os ombros de Isaque nos faz lembrar da passagem de João 19.17: “Jesus saiu carregando ele mesmo a cruz para o lugar chamado Calvário”.

– Deus poupou a vida de Isaque, mas “ele nem mesmo deixou de entregar o próprio Filho, mas o ofereceu por todos nós” (Rm 8.32).

– Abraão disse a Isaque que Deus daria o que fosse preciso. E assim aconteceu, Deus deu o que era preciso, a vida de seu Filho por toda a humanidade.

ENSINAMENTOS

– Deus dará o que for preciso. Muitas são as nossas ansiedades e preocupações. Imaginem a angústia de Abraão, primeiro por não conseguir ter filhos, e, depois, quando o tem, lhe é pedido em sacrifício. Mas a sua resposta diante da pergunta de Isaque nos lembra de que em todas as coisas “Deus dará o que for preciso”. Diante de nossas ansiedades, lembremos dessas palavras de Abraão.

– Em Moriá, Isaque foi poupado. Bem próximo dali, muitos anos depois, no Calvário, Jesus foi sacrificado para que por meio de sua morte todos os nossos pecados fossem perdoados. E por causa desse sacrifício podemos celebrar a Páscoa.

VERSÍCULO-CHAVE:

“Abraão pôs naquele lugar o nome de “O SENHOR Deus dará o que for preciso”. É por isso que até hoje o povo diz: “Na sua montanha o SENHOR Deus dá o que é preciso” (Gn 22.14).

Pastor Clóvis Renato Leitzke Blank – Conselheiro da LLLB