A CAMINHO DOS 500 ANOS – MELANCHTHON

Um dos grandes “leigos” da Reforma – Melanchthon

 

A Reforma foi realizada somente por Lutero? A história mostra que não. Antes de Lutero há alguns personagens muito importantes, como John Huss, John Wyclif, Jerônimo Savonarola, entre outros. Todos os citados eram também sacerdotes. Mas será que há também algum leigo que se destacou nesse processo?

Antes de respondermos a essa pergunta, é conveniente explicar o que significa para nós, luteranos, o termo “leigo” da nossa sigla (LLLB), o segundo “L”. O termo “leigo” vem de Laikós, que quer dizer “do povo”. E, nesse sentido, refere-se aos membros de uma congregação como povo de Deus.Assim, todo pastor é um leigo, mas nem todo leigo é pastor. De uma forma geral, o termo é usado para aquele que não é sacerdote (pastor).

Voltando à pergunta, se há algum leigo na Reforma, podemos dizer que sim. Um dos personagens mais influentes na Reforma foi Felipe Melanchthon. Vamos conhecer um pouco de sua história e depois olhar para a atualidade e pensar em algumas perspectivas futuras.

Felipe Melanchthon nasceu em 16 de fevereiro de 1497, em Bretten, Alemanha. Logo cedo passou por experiências dolorosas. Com seis anos,acompanhou o pai à cidade provincial de Heidelberg e, naquele dia, o bispo de Worms e chanceler de Heidelberg, Johann von Dalberg, morreu ao cair de uma escada. Isso ficou gravado em sua mente.

Um ano depois, a cidade de Bretten foi sitiada por causa de uma guerra por motivos de uma herança. Assim, ele logo cedo conheceu a triste realidade da guerra. Em outubro de 1508, faleceram seu pai e o avô. Neste mesmo ano,ele foi enviado para Pforzheim junto com seu irmão Jorge e o irmão mais jovem de sua mãe, para uma renomada escola de Latim. Assim, com onze anos ele já teve que ficar longe de seus pais.Essa realidade da sua infância fez de Melanchthon, além de um grande estudioso, um homem devoto à oração.

Algumas coisas que merecem destaque na vida de Melanchthon:

–apesar de não ser sacerdote, foi um dos grandes colaboradores de Lutero.Lançou as bases para a educação superior na Igreja Protestante, não somente no campo da teologia. Ele foi denominado “o educador da Alemanha”. Após a morte de Lutero, foi o mais destacado líder da Reforma na Alemanha (HÄGGLUND, 2003, p.211);

–Lutero aperfeiçoava seus conhecimentos de grego com Melanchthon (SCHEIBLE, 2013, p.151);

–foi ele que efetivamente redigiu a Confissão de Augsburgo, documento confessional de nossa Igreja. Também escreveu a Apologia da Confissão (HÄGGLUND, 2003, p.211);

–segundo Melanchthon, somente a Escritura é fonte da doutrina Cristã. Os símbolos da Igreja antiga, inclusive o reconhecimento de sua obrigatoriedade, e certos escritos de padres eclesiásticos, assim como os de Lutero, têm sua autoridade e importância condicionadas à função de intérpretes adequados e reconhecidos da Escritura (RIETH, 1997, p.228);

–em 1518 publicou uma gramática da língua grega, denominada de “Rudimentos da Gramática Grega”, usada por muito tempo como manual nas escolas elementares, secundárias e superiores. No mesmo ano, tornou-se professor de grego na Universidade de Wittenberg (TITILLO, 2015, p.51);

–A sugestão paraque Lutero desse início à tradução da Bíblia foi de Melanchthon, no início de dezembro de 1521. Depois de feita a tradução, Lutero conversou e a analisou com ele, visto que Melanchthon era especialista em grego (SCHEIBLE, 2013, p.152);

– Melanchthon morreu em 19 de abril de 1560. Foi sepultado no dia 21 de abril, ao lado de Lutero. Sua última anotação foi um bilhete que diz porque não precisamos temer a morte: “Tu escaparás dos pecados. Serás libertado de toda a canseira e da fúria dos teólogos. Entrarás na luz, verás a Deus, contemplarás o Filho de Deus. Conhecerás aqueles maravilhosos mistérios que não conseguimos entender nesta vida: por que fomos criados do jeito que somos e no que consiste a união das duas naturezas de Cristo” (SCHEIBLE, 2013, p.278).

Diante desses destaques, vemos a importância de um leigo para que a Palavra de Deus continuasse sendo anunciada e estudada até hoje.

Onde está a base de nossa Igreja? Por que ela se mantém de pé até hoje? A base é Jesus Cristo. A base não são seres humanos. Mas precisamos também lembrar que Deus enviou várias pessoas, que foram seus instrumentos, para anunciar os seus atos poderosos, assim como Lutero e Melanchthon. E, hoje, Deus chama a todos nós, cristãos (pastores, leigos), para anunciarmos a sua Palavra: “Mas vocês são a raça escolhida, os sacerdotes do Rei, a nação completamente dedicada a Deus, o povo que pertence a ele. Vocês foram escolhidos para anunciar os atos poderosos de Deus, que os chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz”(1Pe 2.9).

Por isso, como diz o refrão do hino dos leigos:“Leigos, vamos batalhar pela causa de Jesus! Na congregação, no lar, nosso lema seja a cruz”!

 

Referências Bibliográficas:

HÄGGLUND, Bengt. História da Teologia.Porto Alegre: Concórdia, 2003.

RIETH, Ricardo Willy. O pensamento teológico de Filipe Melanchthon (1497-1560). Estudos Teológicos, v.37, n.3, p.223-235, 1997.

SCHEIBLE, Heinz. Melanchton: uma biografia.São Leopoldo: Sinodal, 2013.

TITILLO, Thiago Velozo. A contribuição dos reformadores para a educação pública. Azusa: Revista de Estudos Pentecostais, n.1, 2015.

 

Pastor Clóvis Renato Leitzke Blank – Conselheiro da LLLB