CAMINHANDO COM LUTERO – PARTE II

CAMINHANDO COM

CAMINHANDO COM LUTERO II – SITUAÇÃO RELIGIOSA E FATOS QUE MARCARAM A IDADE MÉDIA TARDIA

A nossa caminhada com Lutero ainda não chegou a ele. Mas para todo exercício é necessária a preparação. Portanto, antes de chegarmos a Lutero vamos fazer o “aquecimento e alongamento” com os fatos anteriores a reforma luterana.
A situação religiosa – A igreja ia crescendo e com isso foi necessário que houvessem mais pregadores em comunidades maiores. E alguns destes pregadores tiveram mais prestígio e foram chamados de bispos. Eram principalmente os bispos de Roma, Jerusalém, Antioquia e Constantinopla que desfrutavam de grande autoridade.
As comunidades menores buscavam conselhos nestes lugares para assuntos mais graves. A maior influência dos bispos foi de Roma.
Com o passar do tempo os bispos de Roma se acharam mais importantes do que os outros bispos e se atribuíram o direito de serem somente eles os árbitros na Igreja de Deus. Também ficavam muito irritados quando alguém resolvia não se submeter ao seu julgamento.
Eles passaram a afirmar que Pedro fora o fundador da comunidade em Roma, e seu bispo, durante um longo período.
Gregório VII, o antigo monge Hildebrando, ocupou o trono papal em 1073. Ele proibiu o casamento dos sacerdotes e exigiu que todos os sacerdotes recebessem o seu cargo e seus territórios não do poder secular, mas unicamente de suas mãos. Ele dizia: “Assim como a Lua recebe a sua luz do sol, assim os imperadores e príncipes devem ser investidos no poder através do papa. O papa é o representante de Cristo na terra. Por isso, todos os senhores e poderosos deste mundo lhe devem obediência. Somente ele tem o direito e o poder de empossar e de depor”.
O surgimento do papado em Avignon: De 1309 a 1378 a sede do papado foi transferida para Avignon (França) levando o poder do papado para lá.
O que se via neste papado segundo um poeta da época, chamado Petrarco, era: luxúria, mundanalidade, era para ele o “esgoto do mundo” (LINDBERG, 2001, p. 59). Críticos começaram a murmurar dizendo que Jesus disse a Pedro para apascentar as ovelhas (Jo 21.15-17) e não as tosquiar.
Em março de 1378, com a morte do papa Gregório XI o papado voltou para Roma. Lá foi escolhido Urbano VI. Só que em setembro deste ano os cardeais alegaram que a eleição tinha sido inválida por suposta pressão das multidões. Então escolheram Clemente VII para ser papa. A partir daí um residia em Roma e outro em Avignon. O problema é que os dois se consideravam papas e um excomungou o outro. E agora? A quem se deveria a honra e autoridade papal? Quem seria o representante de Cristo na terra? Com isso o prestígio do papado caiu muito.
O surgimento de um papado tríplice: Em 1409 cardeais de cada um dos papas reuniram-se para um concílio onde decidiram depor os dois papas considerando-os como cismáticos e hereges notórios, elegendo um novo papa, Alexandre V, arcebispo de Milão. Imaginem o que aconteceu? Três papas!
Além de tudo isso, se somava o pouco caso que se fazia ao celibato. Os filhos bastardos dos bispos se moviam no meio da nobreza, reclamando abertamente o sangue de que eram herdeiros. Até o digníssimo dom Pedro Gonzáles de Mendonza, que sucedeu a dom Alonso Carrillo como arcebispo de Toledo, tinha pelo menos dois filhos bastardos, a quem mais tarde, com base no arrependimento do arcebispo, Isabel declarou como legítimos. Se isso ocorria no alto clero, a situação não era melhor entre os padres paroquianos, muitos dos quais viviam publicamente com suas concubinas e filhos. E visto que tal situação não tinha a permanência do casamento, eram muitos os sacerdotes que tinham filhos de várias mulheres (GONZALES, 1995, p. 23).
Onde está a autoridade para decidir entre questões religiosas? No papado? Nos concílios? Ou na Palavra de Deus? Será que todos ficaram quietos e aceitaram todas estas coisas que estavam acontecendo? Não.
As cenas dos próximos capítulos vão nos falar de homens como John Wickiff e John Huss.

Referências Bibliográficas
GONZÁLES, Justo L. E até os confins da terra. Uma história ilustrada do cristianismo. São Paulo: Vida Nova, 1995. v.6
JUST, Gustav. Deus despertou Lutero: Vida e obra do Reformador com alguns capítulos introdutórios e conclusivos da história geral da Igreja e da missão. Porto Alegre: Concórdia, 2003.
LINDBERG, Carter. As Reformas na Europa. São Leopoldo: Sinodal, 2001.

Pr. Clóvis Blank, Conselheiro da LLLB